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quinta-feira, 29 de março de 2012

Simpósio Aquém e Além do Cérebro Sonhos repetidos funcionam como "um aviso"

 Sonhos repetidos funcionam como "um aviso"

O professor de Psiquiatria e de Ciências da Consciência da Faculdade de Medicina de Lisboa, Mário Simões, defendeu hoje que os sonhos repetidos devem ser valorizados pelo próprio indivíduo, porque funcionam como “uma mensagem, uma espécie de aviso”.
Contudo, em declarações à Lusa no Simpósio Aquém e Além do Cérebro, a decorrer no Porto, até sábado, o especialista considerou que no que respeita à interpretação dos sonhos “apenas os repetidos devem ser valorizados para perceber a mensagem dos seus mecanismos inconscientes de perceção da vida”. Os restantes devem ser “colocados na máquina trituradora”.
“Sabemos hoje que os sonhos são uma grande central de tratamento do lixo do dia-a-dia. Eu diria que 90 por cento dos nossos sonhos são para tratar do lixo do dia, para no dia seguinte termos novas ideias”, afirmou.
O psiquiatra referiu à Lusa que atualmente “conhece-se muito sobre a patologia, sobre algumas funções que o sono e o sonho têm. As mais conhecidas são sobre a memória e hoje viu-se, aqui, que as memórias durante a vida são integradas e fortalecidas no sono, mas também no sonho”, sustentou.
“Quanto a outras funções do sonho, vamos tentar perceber se são aquelas que Freud falou como sendo uma realização de desejos insatisfeitos, possivelmente também são, mas também sabemos que as pessoas que são privadas de sonhar à noite têm problemas de saúde”, disse.
Mário Simões apontou “problemas não só ligados às insónias. Em termos sociais as pessoas que tem má qualidade de sono e de sonhos ou que não sonham são as mais irritáveis no dia seguinte, com mais erros de atenção, no desempenho na condução e no seu trabalho”.
“Em animais, sabe-se que quando não sonham nada vêm a morrer em curto prazo com infeções graves, imunológicas”, frisou, referindo que o mesmo acontece com as pessoas que privadas de sono ou sonho podem sofrer alterações neuro-imunológicas.
Proporcionar um maior conhecimento sobre o sono e o sonho, o impacto que têm na vida do indivíduo e na sociedade e apontar novos caminhos na investigação científica mundial em neurociências nestes domínios são objetivos do simpósio organizado pela Fundação Bial que conta com a presença de alguns dos líderes na investigação científica mundial neste domínio.
O encontro, que vai já na 9.ª edição, é este ano dedicado ao “Sono e Sonhos” com o intuito de esclarecer questões como: “Porque se dorme? O que se passa no corpo humano quando se dorme? Qual a influência do sono (ou sua ausência) na sociedade? Porque se sonha? ou “O que representam os sonhos?”.
Hoje esteve em discussão a neurobiologia dos processos do sono e da cognição, estando agendada para sexta-feira a discussão sobre os aspetos anómalos subjacentes aos sonhos.

29 de março de 2012
@Lusa

Monti: culpa da crise no euro é dos 2 grandes da UE

Mário Monti afirmou que «a Alemanha e a França são parcialmente responsáveis pela crise na zona euro por terem agido como pais irresponsáveis durante a infância da moeda comum europeia» 

 O primeiro-ministro italiano disse esta quarta-feira, em visita ao Japão, que os dois maiores países da Zona Euro, não respeitaram, no início do euro, as regras fiscais, abrindo caminho às derrapagens que conduziram à atual crise: «A história remonta a 2003, quando o euro era ainda um bebé, quando a Alemanha e a França eram laxistas em relação aos défices públicos e às dívidas», afirmou.

Mário Monti substituiu Silvio Berlusconi em meados de novembro para tentar recuperar aquela que é a terceira maior economia da Zona Euro. O tecnocrata acrescentou que, na época, o Conselho Europeu (CE) decidiu não penalizar Berlim e Paris por ultrapassarem o limite do défice não tendo sido sancionados: «O CE então presidido pela Itália , afirmou que contrariamente à proposta da Comissão Europeia, a Alemanha e a França não seriam incomodadas, apesar de os seus défices ultrapassarem 3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)».

Mário Monti era o comissário europeu da concorrência: «Claro que, se o pai e a mãe da Zona Euro violam as regras, não se pode esperar (que países como) a Grécia as respeitem», acrescentou.

O primeiro-ministro italino disse ainda que estava confiante sobre um eventual reforço do fundo de estabilização financeira e que esta é «a altura de tomar uma decisão definitiva e adequada relativamente às salvaguardas».

Em relação a Espanha, o primeiro-ministro italiano disse estar menos preocupado com a recente subida das taxas de juro dos títulos do tesouro espanhóis: «A Espanha está evidentemente na via de uma consolidação orçamental». E falou da preocupação da UE em relação a nuestros hermanos, considerando que um «contágio a outros países não partirá, certamente, de Espanha» e espera «que o contágio pertença ao passado, agora que a disciplina é respeitada pela maioria dos Estados-membros e que as salvaguardas estão a ser reforçadas».

A visita de Mário Monti a Tóquio insere-se numa digressão pela Ásia que se irá estender à Coreia do Sul, China e Cazaquistão para mostrar uma «nova Itália», menos burocrática e mais aberta ao investimento estrangeiro.

in agenciafinanceira.iol.pt

terça-feira, 20 de março de 2012

Primavera - Spring

Coreia do Norte abre portas a inspectores nucleares

Pormenores da visita ainda vão ser discutidos.
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) revela ter sido convidada a visitar a Coreia do Norte, três anos depois de os seus inspectores terem sido expulsos do país.
O convite foi recebido a 16 de Março e faltam agora discutir os pormenores da visita com as autoridades de Pyongyang e com outros parceiros diplomáticos. 

A Coreia do Norte e os Estados Unidos anunciaram, no mês passado, um acordo de troca de alimentos pela suspensão de testes nucleares, lançamentos de mísseis, enriquecimento de urânio e o regresso dos inspectores nucleares a Pyongyang.
O entendimento ficou em causa na última sexta-feira, quando o regime norte-coreano revelou ao mundo que vai lançar um satélite, em Abril, para assinalar o centenário do nascimento de Kim Il-sung, o fundador do país e avô do actual líder Kim Jong-Un.

Renascença

domingo, 18 de março de 2012

Ian Thorpe definitivamente fora dos Jogos Olímpicos

O nadador Ian Thorpe, cinco vezes campeão olímpico, falhou neste domingo a última hipótese de se qualificar para os Jogos Olímpicos Londres 2012, fazendo apenas o 21.º tempo nos 100 metros livres nas provas de qualificação australianas.
Thorpe, de 29 anos, que regressou à competição em 2011 cinco anos depois de se retirar, já tinha falhado na sexta-feira a tentativa de se qualificar nos 200 metros livres.

"Estou desiludido de não ter conseguido mostrar em competição todo o trabalho que fiz nos treinos. Mas não me arrependo de ter tentado. Vou continuar a nadar, quero ser competitivo de novo", afirmou Thorpe, sem excluir a hipótese de tentar ir aos Jogos do de 2016, no Rio de Janeiro.

Thorpe cumpriu os 100 metros livres em 50,35 segundos, mais de dois segundos acima do tempo do campeão do mundo, James Magnussen, autor do melhor tempo das eliminatórias (48,26), e a cercas de dois décimos do 16.º e último apurado para as meias-finais.

O australiano conquistou três medalhas de ouro em Sydney 2000 e duas em Atenas 2004.


 in publico.pt

Realizador do documentário sobre Joseph Kony detido em San Diego

O realizador do documentário sobre o criminoso de guerra ugandês Joseph Kony, filme que fez furor na Internet, foi detido e hospitalizado em San Diego, anunciou a polícia e a organização Invisible Children.


O norte-americano Jason Russell, de 33 anos e pai de duas crianças, ficou famoso por defender o seu documentário polémico "Kony 2012", sobre o líder da violenta rebelião ugandesa do Exército de Resistência do Senhor (LRA), tido como responsável pela tortura e exploração de milhares de crianças ugandesas.

Segundo o responsável da organização não governamental Invisible Children, que financiou o filme e organizou a campanha na Internet, Jason Russell foi hospitalizado por “esgotamento, desidratação e má nutrição”.

A polícia de San Diego, Califórnia, disse à AFP que na quinta-feira de manhã, foi chamada por causa de um “indivíduo que corria na rua, a gritar, e a perturbar a circulação”. “Uma pessoa disse que ele estava nu e a masturbar-se, outras que perturbava o trânsito e danificava veículos”, disse a porta-voz da polícia.

O site da NBC de San Diego noticia que Jason Russell foi detido perto da praia Pacific Beach, embriagado e com um comportamento bizarro. Andra Brown, do Departamento Policial de San Diego, disse que "ele não foi preso". "Durante a avaliação, apercebemo-nos de que ele, provavelmente, precisaria de cuidados médicos por causa das coisas que dizia." Várias pessoas tentaram acalmá-lo e quando a polícia chegou ele estava cooperante.

O responsável pela Invisible Children, Ben Keesey, disse ao site TMZ que Jason Russell “está a receber os cuidados médicos necessários e está a concentrar-se no seu restabelecimento”. Keesey acrescentou que “as últimas duas semanas foram muito difíceis para nós, especialmente para Jason, e isso terá originado o incidente” de quinta-feira.

Em menos de duas semanas, cerca de 80 milhões de pessoas viram o documentário de 30 minutos no YouTube. O vídeo, com 28 minutos, apela à mobilização mundial para deter ainda este ano Kony e o seu Exército de Libertação do Senhor (LRA), narrando os efeitos dos 25 anos em que este senhor da guerra alimentou um brutal conflito no Norte do Uganda, raptando umas estimadas 60 mil crianças: os rapazes transformados em soldados, as raparigas em escravas sexuais, executados uns e outros quando não obedeciam, muitos mutilados, com os lábios cortados.

O LRA já está desactivado e Joseph Kony é procurado pelo Tribunal Penal Internacional.

in publico.pt

Christine Lagarde pediu à China para reduzir dependência das exportações

A diretora do FMI pediu hoje à China que empreenda a prometida mudança de modelo económico e deixe de depender das exportações e do investimento estrangeiro como motores do seu crescimento para ajudar o mundo a sair da crise.
"A China tem de continuar a afastar o seu crescimento económico das exportações e investimento e a aproximá-lo mais do consumo interno, com isso prestará um grande serviço à sua população", assegurou Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), na sua intervenção no Fórum de Desenvolvimento da China, conferência económica que reúne empresários e políticos de todo o mundo em Pequim.
A responsável do FMI também indicou que a China deve continuar a sustentar o seu rápido crescimento, apesar da perspetiva de desaceleração nas economias emergentes, e sublinhou que "deve melhorar o bem-estar das famílias para que todos os cidadãos beneficiem de um crescimento sustentável."

sexta-feira, 16 de março de 2012

MANUEL MARIA CARRILHO


a boa distância

Tudo partido, novo partido?



 SEM GRANDEZA A escolha do Presidente da República por sufrágio universal é uma aposta na grandeza da política. A Constituição dá aos Portugueses a oportunidade de colocar no topo do sistema político um cidadão. Um só. Que terá de responder por si mesmo, e de exercer o cargo com base numa visão do País e do seu futuro livre das pressões, dos interesses, dos partidos e das pequenas paixões. É o encontro de um homem e de um povo.

A vida democrática divide, o que é normal: os partidos guerreiam-se, as instituições querelam, os cidadãos opõem-se. O Presidente deve, por isso, introduzir outra dimensão e outra prática na vida democrática, incarnando a História do seu País e as principais expectativas do seu Povo. É a sua missão.
Só assim ele pode unir e inspirar os cidadãos. Em épocas de crise, como a que vivemos, esta capacidade pode ser vital, tanto para os governos como para os governados. Infelizmente, Cavaco Silva tem mostrado uma contumaz dificuldade em consegui-lo. Ou faz de menos, ou faz de mais, mas sempre atabalhoadamente, tanto no conteúdo como no timing.
Os últimos meses têm sido calamitosos, tudo indiciando que é muito forte, e pode mesmo ser irreversível, o processo da sua descredibilização junto dos portugueses. O "prefácio" ao seu último livro foi mais um imprudente passo nessa via que, a manter-se, terá consequências de monta na vida política nacional. Não é certamente por acaso que, a quatro anos de distância, começam já a aparecer sondagens presidenciais...
O que parece confirmar-se é que Cavaco Silva deixou há muito de fazer história, para se preocupar sobretudo em "polir" o seu papel nela. O paradoxo é que, quanto mais isso acontece, mais negativo e insignificante se revela o seu retrato final.
SEM FUTURO
Nada disto ajuda o PS e o seu "novo ciclo". O ataque de Cavaco Silva ressuscitou o espectro socrático e os seus fantasmas, de resto num momento muito conveniente para desviar as atenções da revelação das escabrosas conversas de Sócrates com o reitor da Universidade Independente, e dos novos afloramentos de velhos "casos" que entretanto se adivinham...
As últimas eleições legislativas deixaram uma herança envenenada nas mãos do PS e da sua nova liderança, com o País à beira da bancarrota e o caminho mais recente pejado de erros políticos de palmatória.
Quando o PS mais precisa de um debate interno, aberto e sem quaisquer tabus, sobre a última legislatura, este "ajuste de contas" presidencial provocou um "cerrar de fileiras" e uma postura irracional que mistura o politicamente discutível com o eticamente indefensável.
Se ficar refém deste passado, o PS corre o risco de não ter futuro. Pode um Partido ser condicionado por meia dúzia de militantes que agem como a guarda pretoriana de um antigo líder vagamente exilado? E que estão mais preocupados em proteger-se e retocar o retrato do passado, do que em lançar as bases do futuro? Esperemos que não, porque esse é o caminho certo para perder o respeito dos portugueses. É um suicídio político.
SEM SAÍDA
O mais extraordinário é que parece não haver, na classe política, a noção da extrema gravidade da situação em que se encontra Portugal e a nossa democracia. O "freak show" está instalado: o Presidente entrega-se ao veneno do ressentimento, o PS agita-se encurralado entre a herança socrática e o novo ciclo, os comunistas revivem a nostalgia bolchevique e o Bloco junta a tudo isto mais algumas causas fracturantes, que o ultra-liberalismo agradece...
O primeiro-ministro diz que mantém o rumo, mas na verdade parece andar sempre à procura dele, desorientado entre opções, tutelas e exceções que convencem cada vez menos os portugueses. O governo aposta tudo no papel do "bom aluno", diferente - felizmente! - da Grécia. Mas é um "bom aluno" especial, que procura convencer os outros, não da excelência dos seus feitos, mas da intensidade do seu arrependimento.
Temos assim um Portugal arrependido contra uma Grécia sem remédio! É pouco, convenhamos - e onde é que isto nos leva?
SEM ILUSÕES
Há um ano, ainda havia a ilusão dos "indignados", que enchiam os media. Mas esta indignação, como então aqui escrevi, podendo ser um forte detonador mediático, será sempre um fraco operador político. Sobretudo porque vive da ilusão da democracia impolítica.
No fundo, a indignação talvez não seja hoje (como intuiu A. Finkiel- kraut) senão o que resta das paixões políticas, quando já não se acredita, nem na política nem no seu poder de transformação. E se assim for, é a questão dos partidos como operadores centrais da mudança em democracia que permanece nuclear. Dos partidos que temos e dos que devíamos ter.
Vasco Pulido Valente sinalizou bem, na semana passada, a ilusão em que se vive "de que, quando a crise acabar (se a crise por acaso acabar) o velho jogo dos partidos vai continuar como se nada tivesse acontecido". Não vai - o mais certo é que esteja tudo partido e desconjuntado. Face ao descrédito dos partidos actuais e à sua incapacidade para se reinventarem, impõe-se cada vez mais a necessidade de um novo partido (ou até mais) que, com ideias novas e práticas completamente diferentes, seja capaz de abrir caminho para uma Nova República. É bem possível!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Santana e as críticas de Cavaco a Sócrates: “Eu não conheço precedentes disto”

Santana Lopes juntou a sua voz à de Marcelo Rebelo de Sousa nas críticas a Cavaco Silva pelo prefácio contra Sócrates. 


Santana Lopes criticou nesta quarta-feira à noite Cavaco Silva por ter acusado José Sócrates de ter tido para com o Presidente da República “uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia”.

“O que quer que lhe diga? Apetece-me dizer: pois”, afirmou na TVI24, quando questionado sobre o prefácio de Cavaco Silva no livro “Roteiros VI”.

O antigo presidente do PSD acrescentou depois não compreender porque não agiu o Presidente da República na altura “se achava que a falta de Sócrates era gravíssima”.

Santana lembrou “que o caldo” entre Cavaco e Sócrates “já estava muito entornado na altura”, acrescentando que o Presidente “tinha o dever” de informar os portugueses. “Era natural que o Presidente tivesse agido. (…) Tinha o dever moral de informar”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro considerou ainda que esta não era a altura para o presidente fazer estas críticas. “Ou era na altura ou era nas memórias.”

Santana considerou ainda que o texto de Cavaco Silva “não é conveniente no momento em que Portugal atravessa”.

“Eu não conheço precedentes disto. E a gravidade está aí”, disse, acrescentando esperar que o Presidente “recupere rapidamente” o seu papel na vida política portuguesa.

 14.03.2012 - 23:49 Por Luciano Alvarez in publico.pt

sábado, 8 de outubro de 2011

Um Nobel da Paz pouco pacífico

por FERREIRA FERNANDES 
Mas que mal fez o candidato presidencial liberiano Winston Tubman (já para não falar no seu candidato a vice-presidente, George Weah, goleador do Milan, melhor futebolista do mundo, 1995) para que, em plena campanha eleitoral - e a quatro dias das eleições!!! -, a sua adversária ganhe um prémio internacional mítico e as aberturas de telejornais de todo o mundo? Num país pobre e democracia instável, que lambe as feridas de guerra civil recente, não é um abuso, essa interferência? O Nobel da Paz, a maior medalha mundial de bom comportamento cívico, foi dado à actual Presidente Ellen Johnson Sirleaf e recandidata à reeleição, e ao mesmo tempo esse prémio influencia ilegitimamente os resultados eleitorais... Há mais de 150 anos, a Libéria foi criada por manipulação externa - um dia a América acordou com problemas de consciência pela escravatura negra e decidiu inventar um país na Costa Ocidental de África com escravos de torna-viagem. Agora, em igual manobra de desprezo, o Nobel mete-se no destino dos liberianos. Nem terá sido por mal, se calhar o comité de sábios só ignorava que havia eleições. Mas quem mostra premiados exemplares ao mundo não deveria estar atento a esse mundo? Se o Nobel da Paz queria premiar Sirleaf, que a premiasse antes (quando ela já o merecia), não na semana em que incomoda a Libéria. É assustador que coisas tão importantes e badaladas como dar um Nobel sejam feitas tão à Lagardère.

Fonte: dn.pt

sábado, 17 de setembro de 2011

Repensar a Europa

MANUEL MARIA CARRILHO30 Junho 2011
O conformismo é o maior problema que a União Europeia hoje enfrenta. A "ideologia europeia", que foi durante décadas um símbolo do futuro, tornou-se numa amálgama de impasses, de dogmas e de preconceitos, incapaz de pensar tudo o que belisque os seus interesses.
As ideologias são assim, têm períodos de vitalidade e fases de declínio. E a sua decadência revela-se sempre num sintoma preciso: é quando as respostas aparecem antes das perguntas, e as soluções se impõem antes de se conhecerem os problemas. A União Europeia está nesta fase. E a deriva deste último ano e meio parece aproximá-la cada vez mais do colapso, não se vendo nada que a faça arrepiar caminho, como o Conselho Europeu da semana passada veio confirmar.
Nem a iminência de uma explosão na Grécia, tão vítima de si própria como da ortodoxia do programa que lhe foi prescrito no ano passado, já que, como há dias sublinhava Martin Wolf no Financial Times, a actual situação grega é - ao contrário do que tantas vezes se diz - mais resultado da ineficácia do plano da troika, do que do seu incumprimento. Nem o alerta do FMI, a chamar a atenção não só para o possível contágio europeu a partir da situação grega, mas também para o risco de contágio global a partir da crise do euro. Nem a convergência sino-americana, com a China a sublinhar num tom inédito a "importância crucial" que para ela tem uma rápida solução da crise grega, e os Estados Unidos a reclamarem o imperativo de uma estratégia "a uma só voz" da União Europeia.
Apesar de todos estes alertas e apelos, a que é ainda precisa juntar o espectro de uma "tempestade perfeita" que poderá resultar, nos próximos tempos, da combinação da crise da dívida europeia com o risco de incumprimento dos EUA (a dívida americana ultrapassou já os 14 mil milhões de dólares), a inflação chinesa e a estagnação japonesa - apesar de tudo isto, a União Europeia continua paralisada.
Paralisada e a pisar ovos em cima da premonitória frase de Theo Waigel, o antigo ministro das Finanças alemão que prometeu aos seus concidadãos que "der euro spricht deutsch". E, entretanto, agudiza-se o impasse entre as duas saídas para a crise, a federal e a nacional, com o federalismo sempre a perder terreno desde os chumbos de 2005 aos referendos à "constituição" europeia, e o nacionalismo a ganhar constantemente novos adeptos por toda a Europa, seja em Inglaterra ou na Holanda, na Hungria ou na Finlândia.
É por isso urgente quebrar o conformismo de chumbo que se instalou na UE, que se arrisca a transformar a crise da dívida numa devastadora crise da própria Europa e que, acentuando a deslegitimação das suas incompetentes lideranças, terá consequências e proporções difíceis de antecipar. E para quebrar este conformismo e os seus dogmas, só há um modo: é o de voltar à "grande" política, isto é, às ideias que podem mudar o actual estado de coisas. E que terão de ser tão ousadas como fundamentadas.
Tal só será possível cortando com a ideologia sem ideias em que se tornou a "vulgata europeia", e elaborando uma nova agenda para a Europa. Uma agenda que exija que a Comissão Europeia deixar de se comportar como um dócil secretariado de um Conselho Europeu dominado pela Alemanha. Uma agenda que leve os líderes dos países europeus a falarem mais vezes e mais demoradamente entre si, e com as respectivas opiniões públicas, de modo a encontrarem e a formularem alternativas à ortodoxia dominante. Uma agenda capaz de federar os interesses e as ideias de diversos países, sem medo de confrontar a Alemanha ou de visar os seus pontos fracos. Uma agenda que avance com iniciativas credíveis e com propostas ambiciosas, e que abra os indispensáveis debates sobre as novas circunstâncias da globalização, os paradoxos do livre-cambismo, as opacidades da "financeirização" da economia ou o interminável (e contraproducente) alargamento da União.
E é muito que se pode fazer, com iniciativas de variada ordem: política, económica, financeira, social, cultural. Uma delas, e das mais urgentes, deveria neste momento ser relativa ao valor do euro, cuja excessiva valorização nos últimos dez anos tem beneficiado sobretudo à Alemanha, e a dois ou três aliados, e prejudicado todos os demais países da Zona Euro. E esta valorização teve, é preciso sublinhá-lo, um papel decisivo na perda de competitividade de diversas economias europeias, e na eclosão da crise das dívidas soberanas. (Note-se, a propósito, que a Inglaterra desvalorizou a libra, durante a crise financeira dos últimos anos, em cerca de 20%, sem que a inflação tenha ultrapassado 1,6%...)
Este é um dos caminhos por onde é possível e urgente avançar, se realmente quisermos que o euro fale outras línguas para lá do alemão. Outros, por exemplo, são a unificação da dívida (como Roosevelt fez em 1932), a emissão de "eurobonds" e a criação de um ministério das finanças europeu. A Europa precisa de uma nova agenda que só um franco e vigoroso o debate de ideias poderá viabilizar, criando condições para que se enfrente uma especulação que se faz cada vez mais à margem de todas as regras, e que está a tornar o mundo numa verdadeira selva.

 Fonte: dn.pt


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Portugal vai mal, mas a União Europeia, pior

por MÁRIO SOARES17 Maio 2011


1. A generalidade dos portugueses, depois das últimas semanas que passámos - e tendo consciência do que nos espera, após termos algum conhecimento das exigências da troika - deve pensar que a situação portuguesa vai mal, sobretudo perante o autismo de alguns políticos e economistas. Mas o futuro da União Europeia, a que pertencemos, parece desenhar-se ainda pior.
Se não me engano, os próximos tempos vão agravar a decadência e a incapacidade de reacção dos principais dirigentes políticos europeus. Na realidade, perante as dificuldades extremas das políticas internas dos respectivos Estados, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Silvio Berlusconi, David Cameron e outros, menos relevantes, parecem cegos e recusam-se a ver a decadência efectiva, em que a União Europeia, como um todo, se encontra relativamente ao futuro próximo.
A opinião pública europeia, até agora demasiado passiva, começa a dar sinais inquietantes, quanto ao que está para vir. A Grécia e a Irlanda, após as ajudas tardias e demasiado restritivas da União Europeia, não melhoraram nada. Pelo contrário. Surgiu, entretanto, o caso português e, embora a troika tenha, ao que parece, aprendido alguma coisa e, consequentemente, tenha aberto um pouco mais os cordões à bolsa, não será o suficiente para evitar a recessão que nos ronda.
O resultado é que, como a União não definiu, até agora, perante a crise global que nos afecta, uma estratégia global para pôr os mercados especulativos na ordem, como devia, outros Estados membros podem, com grande probabilidade, vir a ser atacados pela insaciável avidez dos mercados especulativos e das agências de rating. Estão nessa fila Estados como: a Bélgica, a Espanha, a Itália e talvez mesmo a França. Aí não haverá troikas capazes de fazer milagres. A União Europeia - e as suas burocráticas instituições, tão retrógradas - terão de mudar de modelo de desenvolvimento, rapidamente, ou entrarão numa irremediável decadência, senão mesmo em desagregação. Seria o fim de um projecto único, invejado em todos os continentes, que trouxe às populações europeias a paz, o bem-estar, a justiça social, o aprofundamento democrático e dos direitos humanos. Ora a responsabilidade dessa tragédia, se vier a suceder, cairá, indiscutivelmente, sobre os actuais dirigentes europeus...
Muitos portugueses viram certamente um filme extraordinário de oportunidade, intitulado Inside Job - A Verdade da Crise. Mostra os efeitos das bolhas especulativas, a falta de regulação da globalização, as economias virtuais, os paraísos fiscais, as grandes negociatas, sem ética, os mercados especulativos, sem princípios nem crédito, cada vez mais agressivos e impunes, que atacam velhos Estados nacionais, ajudados pelas empresas de rating, igualmente sem regras, valores ou moral. Tudo isso foi e é causa e consequência da grave crise global, cujos responsáveis ficaram, em geral, impunes, que começou nos Estados Unidos e se alargou à Europa e a outros continentes. Está longe, aliás, de ter sido vencida, tanto nos Estados Unidos como na União Europeia.
Voltando à União Europeia, os Estados nacionais salvaram os bancos, para evitar as consequências de falências em série. Mas agora estão eles a ser atacados e a receber empréstimos das instituições comunitárias, a juros elevadíssimos, para reduzir os endividamentos e os défices, públicos e privados.
Contudo, na maior parte dos casos, os Estados não podem defender-se das recessões económicas, que começam a sentir-se, dada a fúria gananciosa dos mercados especulativos. Resultado: mais desemprego, mais desigualdades, mais fome, nos casos extremos e mais mal-estar social...
Muitos economistas conhecidos, entre os quais alguns Nobel, têm vindo a chamar a atenção dos dirigentes europeus para o esgotamento da ideologia neoliberal - responsável pela crise global - e para a impunidade dos seus principais responsáveis, com raras excepções. Há poucos meses, a Associação Francesa de Economia Política lançou um manifesto, assinado por diversos economistas, curiosamente intitulado "manifesto dos economistas aterrorizados". O seu objectivo não era condenar o capitalismo, mas tão-só a fase que atravessa, com a ditadura absoluta do capital financeiro, sobre a política e os Estados soberanos, continuando a permitir a actividade dos mercados especulativos, sem regras nem ética.
E acrescenta: "A retoma económica foi possível, frágil mas real, graças a uma injecção colossal de fundos públicos no circuito económico (desde os Estados Unidos à China)." E sublinha: "Apenas um Continente continua em retracção: a Europa." Porquê? "Porque o caminho do crescimento económico deixou de ser a sua prioridade política, enveredando por outra via: a luta contra os défices públicos." Por isso, insisto eu, os Estados europeus estão a viver momentos muito difíceis, mesmo os que, como a Alemanha, têm economias consideradas fortes. Mas se o euro vier a ser destruído - como pretendem os mercados especulativos - como poderá subsistir a Alemanha ao arrepio da União Europeia? Voltará ao marco? Sinceramente, não creio que seja possível.
Da 'troika' às eleições
2. Portugal ainda mal digeriu as "receitas" da troika - que parecem pouco claras aos olhos da maioria dos portugueses - e os partidos lançaram-se logo numa agressiva competição eleitoral, em que se discute tudo menos o essencial: como é que os vencedores das eleições, se os houver, num só partido ou associados, irão resolver os gravíssimos problemas com que serão enfrentados? Refiro-me ao descontentamento geral, ao desemprego, à precariedade do trabalho, às manchas de fome, que estão a alargar-se por todo o território nacional, à diminuição das pensões, sobretudo para os idosos, às dificuldades com que terão de haver-se no que se refere ao Serviço Nacional de Saúde, ao ensino público, às pequenas e médias empresas, aos cortes exigidos, perante o despesismo habitual do Estado, das regiões autónomas e das autarquias?
Nenhum líder partidário se debruçou, que se saiba, até agora, sobre esta temática, para responder aos problemas que mais inquietam os portugueses. Cometem um erro grave. Porque os eleitores não gostam que os responsáveis partidários se injuriem ou que só pensem nos interesses dos seus partidos e não nos do povo português, que é afinal quem conta e decide, através do voto.
As oscilações das sondagens, com o sobe e desce dos diferentes partidos, são sintomáticas. Há, no eleitorado, uma grande inquietude quanto ao nosso futuro colectivo. Com razão. Ora, se os partidos não querem debater sobre o que se vai passar depois das eleições, o voto passa a ser algo de volátil, porventura mesmo fazendo crescer a abstenção. O que é perigoso em todos os sentidos e não só no da consolidação da democracia.
Entre os líderes, Paulo Portas, que é indiscutivelmente inteligente, tem sido o mais contido, até no tom da fala. Mas cometeu o erro, no último debate, de se apresentar como um possível primeiro-ministro, atitude a que só a vaidade o poderá ter empurrado. A improbabilidade dessa hipótese só o desfavorece. Fernando Nogueira, dixit, com razão...
Passos Coelho, tem-se apresentado como demasiado neoliberal, posição de que muitos militantes do PSD não gostam nada. O Partido, que se saiba, ainda se chama Social Democrata, apesar de pertencer ao Grupo Popular ou Populista dos partidos conservadores do Parlamento Europeu. Tem deixado e ainda bem, para os socialistas, a porta aberta ao Estado social. Tema a que Sócrates, atinadamente, nunca tem deixado de se referir, com o devido entusiasmo.
Passos Coelho, por outro lado, tem tido alguma pouca sorte com as pessoas que tem escolhido. Há vários exemplos, mas basta dar um: o prof. Eduardo Catroga, antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva. Tem sido de uma inusitada agressividade para com os seus adversários, principalmente do PS. Num debate público, televisivo, foi de uma impertinência que incomodou os ouvintes e saiu-se com um palavrão que não se pode pronunciar, como se dizia no meu tempo, à frente de senhoras... Mas disse-o, tranquilamente, confessando depois ao i, numa entrevista, que sua esposa o admoestou, segundo as suas palavras. Porque, cito: "Quando sair à rua contigo vou ficar envergonhada." O caso, realmente, não é para menos...
Assim vai a campanha eleitoral, neste início tão turbulento e incerto do mês de Maio. Os palpites sobre os resultados são, segundo tenho ouvido, bastante variados. As previsões são difíceis. Mas o que mais me preocupa - e julgo que aos portugueses na sua maioria - é o que se vai passar no day after. A imprevisibilidade está generalizada, dado que os partidos que assinaram o relatório da troika continuam a não se entender. E deviam fazê-lo, e oxalá ainda o façam, a bem do interesse nacional. Lembrem-se de que, em política, nunca se deve dizer que uma coisa é impossível!


Fonte: dn.pt


Que senhor!!! Nunca fui fã dele mas "isto" esta soberbo.